Edição Outubro/Dezembro 2000

I CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM DO TRABALHO
II InterENENT
Encontro Internacional de Enfermagem do Trabalho
IX ENENT
Encontro Nacional de Enfermagem do Trabalho

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ESTRASBURGO
Congresso na França discute perspectivas para a Enfermagem do Trabalho

Aconteceu entre os dia 18 e 20 de outubro, na cidade de Estrasburgo, na França, o 2º Congresso da Federação de Enfermeiras do Trabalho da União Européia. A Enfermagem do Trabalho brasileira esteve representada pelas enfermeiras Ruth Miranda de Camargo Leifert, Presidente da ANENT, e Akiko Kanazawa, Segunda-Secretária da Associação.

O evento, que contou com a participação de representantes de diversos países da Europa e das Américas, escolheu para o debate central o tema "Europeus: tornando a saúde e o bem estar no trabalho uma verdadeira parceria". O foco das discussões esteve nas perspectivas para o enfermeiro do trabalho frente aos novos riscos ocupacionais, aos novos métodos de abordagem do trabalho e também às novas tecnologias.

Outra questão que gerou longos debates foi a importância do intercâmbio de informações e experiências entre os profissionais europeus e destes com o resto do mundo. Segundo a presidente do congresso, enfermeira Janine Bigaignon-Fanchet-te, a evolução do trabalho irá exigir dos profissionais de saúde ocupacional a competência necessária para enfrentar as mudanças. Durante todo o evento, os vários palestrantes enfatizavam a necessidade dos enfermeiros do trabalho adquirirem a competência e as qualificações necessárias para que possam atuar com segurança no cenário futuro da saúde ocupacional.

A avaliação das representantes brasileiras sobre as questões debatidas deixa a certeza de que no Brasil a enfermagem do trabalho está bastante avançada em relação ao que é praticado pelos colegas europeus. "Em muitos países da Europa não existe uma legislação específica para a enfermagem ocupacional, tornado-os totalmente dependente dos médicos", explica a presidente da ANENT, Ruth Miranda de Camargo Leifert. Ela acredita que as dificuldades enfrentadas pelos enfermeiros do trabalho dos países europeus deva-se ao fato de os movimentos em busca do reconhecimento profissional sejam recentes. "Os enfermeiros do trabalho da Europa começaram a lutar pela conquista de vitórias políticas para a profissão apenas em 1994, e muitos países apenas recentemente conquistaram o reconhe-cimento legal da enfermagem enquanto profissão. No Brasil, a nossa luta teve início em 1972", explica Ruth Leifert.

EPINET
Programa de rastreamento de acidentes é sucesso nas instituições
EPINET é um software especialmente desenvolvido para auxiliar o gerenciamento de acidentes com pérfuro cortantes em hospitais. Recentemente a BD, responsável pela implantação do software no Brasil, cadastrou 16 hospitais para testar o produto. Apesar da eficiência do projeto, até o momento somente o Hospital Sírio Libanês e o Hospital do Servidor Público Estadual, localizados na cidade de São Paulo, implantaram o EPINET. Após a instalação, as instituições deram parecer favorável. A ANENT acredita que o programa foi de extrema importância para a saúde ocupacional.

Propostas para alteração da NR-4 desprestigiam a Enfermagem
Após tantos anos de espera e após a categoria de enfermagem do trabalho ter por diversas vezes explicitado suas opiniões e sugestões aos diferentes responsáveis pelas políticas de atenção à saúde do trabalhador nestes últimos 15 anos, foi uma desagradável surpresa constatar que as alterações deixaram mais uma vez a enfermagem do trabalho relegada a um papel meramente acessório.

As propostas apresentadas pelo MTE para alteração da NR4 estão em total desacordo com a Lei Federal 7.498/86, que regulamenta o exercício profissional de enfermagem no Brasil. Legalmente, não existe a atividade do profissional de nível médio sem a supervisão do enfermeiro. Portanto, a presença apenas de auxiliar de enfermagem nas empresas com menor número de funcionários é totalmente ilegal. Nas sugestões que enviamos à SST consta este alerta e a solicitação de adequação da proposta da nova NR4 às leis vigentes no país. Outro fato alarmante é que a proposta ignora completamente a existência do técnico de enfermagem do trabalho.

Em nossa proposta enviada à SST/MTE, solicitamos que sejam corrigidas as distorções referentes à atuação dos profissionais de enfermagem do trabalho, para que o trabalhador possa ser beneficiado com a oferta da melhor assistência possível.

É importante ressaltar que alertamos também a SST sobre a importância da manutenção da área hospitalar , que existe na NR4 atual e foi suprimida da proposta. Não é possível que os trabalhadores da saúde fiquem sem qualquer cobertura de programas de segurança, visto que atuam em ambiente reconhecidamente insalubre e de grandes riscos ocupacionais. Sugerimos que, enquanto não houver uma NR específica para os trabalhadores da Saúde, que estes sejam contemplados ainda que provisoriamente, pela NR4

Confratenização de final de ano
7 de Dezembro de 2000 - 14 horas
Local: Rua Dona Veridiana, 298 - Higienópolis
São Paulo - SP

                     

O I Congresso Internacional de Enfermagem do Trabalho, realizado nos dias 9, 10 e 11 de agosto de 2000, contou com mais de 380 inscritos de diversos Estados brasileiros, representantes de importantes instituições e empresas.

Com o tema central "Enfermagem do trabalho no mundo: um universo", contribuíram para o debate, renomados profissionais da área da saúde e gestão ocupacional.

A presidente da ANENT, enfermeira Ruth Miranda de Camargo Leifert defendeu, entre outros pontos, a humanização das condições de trabalho, fator fundamental para assegurar a saúde e a integridade física e psicológica do trabalhador. A tendência é que o profissional de enfermagem do trabalho deixe o ambulatório onde presta primeiros socorros para assumir o verdadeiro papel de um profissional dotado de visão holística, capaz de detectar e minimizar os efeitos do estresse ocupacional, responsável pela grande parte dos acidentes causados por distração ou negligência.

Dentre as palestras, podemos destacar a mesa redonda realizada com a presença da representante de Portugal, enfermeira Margarida Plantier Rasteiro, da Ordem dos Enfermeiros que relatou suas experiências naquele país; dos Estados Unidos, enfermeira Bernadine B. Kunchinski, PHD em Saúde Ocupacional; da Colômbia, enfermeira Piedad Líliana Lancheros que abordou sobre a medicina preventiva do trabalhador.

Abordou-se também a importância de não se tratar a saúde e segurança nas empresas de forma não sistêmica e isolada. Através de um Guia para Implementação de Sistema Gestor de Segurança e Saúde Ocupacional, o Sr. José Henrique Faber demonstrou algumas ações que estão sendo realizadas para padronização e certificação em segurança e saúde ocupacional, que visam reduzir acidentes e doenças ocupacionais; minimizar o absenteísmo; assegurar o cumprimento com a legislação, e reduzir custos (inclusive de seguros).

O profissional da saúde está exposto a uma diversidade de riscos: físicos, químicos, ergonômicos e, principalmente biológicos. Sob essa ótica, a enfermeira do trabalho Walkíria Silva Moutinho, de Belo Horizonte, abordou a biossegurança, alertando que o controle e a prevenção de acidentes dessa natureza devem ser resultado de um conjunto de ações desenvolvidas por todo o setor de saúde ocupacional e envolve treinamento contínuo e sistemático, conscientização dos profissionais, imunização, investigação do acidente, quimioprofilaxia e acompanhamento sorológico, como medidas de segurança.

O evento contou, ainda, com a apresentação de trabalhos científicos. Ao todo foram recebidos mais de 50 trabalhos, dos quais 34 foram aprovados. Isso demonstra que a produção científica na área de saúde ocupacional é significativa, revelando o interesse de instituições em minimizar problemas de saúde do trabalhador. Os temas dos trabalhos apresentados foram diversos abordando desde a utilização de recursos tecnológicos (internet) na prevenção, educação, treinamento, monitoramento de acidentes ocupacionais; a preparação do profissional para o mercado de trabalho, com questões que envolvem o ensino de graduação e pós-graduação em enfermagem; fatores que implicam diretamente na saúde do profissional de enfermagem, como estresse, jornada de trabalho, qualidade e duração do sono; e pesquisas sobre os principais acidentes que ocorrem no local de trabalho, entre outros.

Palestrantes debatem sobre a Enfermagem do Trabalho


Da esquerda para direita, enfermeiras: Hollie Shaner - EUA,
Piedad Liliana Lancheros Carrillo Colômbia,
Ruth Miranda de Camargo Leifert - presidente da ANENT,
Ilene Masser - EUA e
Margarida Maria Plantier Rasteiro - Portugal

Atualmente, nos EUA as empresas estão investindo no treinamento, educação e orientação, tanto para o profissional quanto para o trabalhador, por isso os acidentes de trabalho vêm diminuindo consideravelmente. Os casos mais freqüentes ainda continuam sendo em indústrias da construção civil. "Existe uma comissão que está estudando e analisando essa área. Eles dão bastante dinheiro para a perda, subsídio para as uniões e sindicatos para que seja promovido reuniões e treinamentos nessa área", afirma a enfermeira Bernardine B. Kushinski.

Já na Colômbia os acidentes mais freqüentes são relacionadas ao manuseio. Empresas que exigem a manipulação do trabalhador acontecem muitas amputações. Também ocorrem muitas quedas, traumas com trabalhadores que atuam em construções. Segundo a enfermeira Piedad Liliana Lancheros Carrilo, existem duas faculdades, uma voltada completamente à gerência de enfermagem gerência ocupacional e administração e outra à parte técnica da saúde ocupacional capacitação, promoção. As enfermeiras coordenadoras das empresas se empenham no programa, pois liberta o controle da segurança e na parte de capacitação de trabalho.

Segundo a enfermeira Margarida Maria Plantier Rasteiro, os enfermeiros do trabalho prestam os primeiros socorros em casos de acidentes e fazem os tratamentos de continuação quando o trabalhador pode permanecer no trabalho. Se existe a incapacidade parcial para o trabalho, ele é orientado pela companhia de seguros e são os enfermeiros da seguradora que cuidam dele. Somente quando fica trabalhando é que a assistência continuada é feita pelo enfermeiro do trabalho. Isso ocorre, pois não existem tantos enfermeiros que procuram a especialização para a enfermagem do trabalho quanto nós queremos e precisamos", comenta a enfermeira Margarida Maria Plantier Rasteiro.

Todas as palestrantes falaram sobre a importância de acontecimentos como o I Congresso Internacional de Enfermagem do Trabalho, pois uniformizam as experiências e melhoram o desempenho da Enfermagem do Trabalho diante dos colaboradores.

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