Edição Outubro/Dezembro 2000
I
CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM DO TRABALHO
II InterENENT
Encontro Internacional de Enfermagem do Trabalho
IX ENENT
Encontro Nacional de Enfermagem do Trabalho
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ESTRASBURGO EPINET Propostas
para alteração da NR-4 desprestigiam a Enfermagem Confratenização
de final de ano |

O I Congresso
Internacional de Enfermagem do Trabalho, realizado nos dias 9, 10 e 11 de agosto
de 2000, contou com mais de 380 inscritos de diversos Estados brasileiros, representantes
de importantes instituições e empresas.
Com o tema central "Enfermagem do trabalho no mundo: um universo", contribuíram
para o debate, renomados profissionais da área da saúde e gestão ocupacional.
A presidente da ANENT, enfermeira Ruth Miranda de Camargo Leifert defendeu,
entre outros pontos, a humanização das condições de trabalho,
fator fundamental para assegurar a saúde e a integridade física e psicológica
do trabalhador. A tendência é que o profissional de enfermagem do trabalho deixe
o ambulatório onde presta primeiros socorros para assumir o verdadeiro papel
de um profissional dotado de visão holística, capaz de detectar e minimizar
os efeitos do estresse ocupacional, responsável pela grande parte dos acidentes
causados por distração ou negligência.
Dentre as palestras, podemos destacar a mesa redonda realizada com a presença
da representante de Portugal, enfermeira Margarida Plantier Rasteiro, da Ordem
dos Enfermeiros que relatou suas experiências naquele país; dos Estados Unidos,
enfermeira Bernadine B. Kunchinski, PHD em Saúde Ocupacional; da Colômbia, enfermeira
Piedad Líliana Lancheros que abordou sobre a medicina preventiva do trabalhador.
Abordou-se também a importância de não se tratar a saúde e segurança nas empresas
de forma não sistêmica e isolada. Através de um Guia para Implementação de Sistema
Gestor de Segurança e Saúde Ocupacional, o Sr. José Henrique Faber demonstrou
algumas ações que estão sendo realizadas para padronização e certificação em
segurança e saúde ocupacional, que visam reduzir acidentes e doenças ocupacionais;
minimizar o absenteísmo; assegurar o cumprimento com a legislação, e reduzir
custos (inclusive de seguros).
O profissional da saúde está exposto a uma diversidade de riscos: físicos, químicos,
ergonômicos e, principalmente biológicos. Sob essa ótica, a enfermeira do trabalho
Walkíria Silva Moutinho, de Belo Horizonte, abordou a biossegurança, alertando
que o controle e a prevenção de acidentes dessa natureza devem ser resultado
de um conjunto de ações desenvolvidas por todo o setor de saúde ocupacional
e envolve treinamento contínuo e sistemático, conscientização dos profissionais,
imunização, investigação do acidente, quimioprofilaxia e acompanhamento sorológico,
como medidas de segurança.
O evento contou, ainda, com a apresentação de trabalhos científicos. Ao todo
foram recebidos mais de 50 trabalhos, dos quais 34 foram aprovados. Isso demonstra
que a produção científica na área de saúde ocupacional é significativa, revelando
o interesse de instituições em minimizar problemas de saúde do trabalhador.
Os temas dos trabalhos apresentados foram diversos abordando desde a utilização
de recursos tecnológicos (internet) na prevenção, educação, treinamento, monitoramento
de acidentes ocupacionais; a preparação do profissional para o mercado de trabalho,
com questões que envolvem o ensino de graduação e pós-graduação em enfermagem;
fatores que implicam diretamente na saúde do profissional de enfermagem, como
estresse, jornada de trabalho, qualidade e duração do sono; e pesquisas sobre
os principais acidentes que ocorrem no local de trabalho, entre outros.
Palestrantes debatem sobre a Enfermagem do Trabalho
Da esquerda para direita, enfermeiras: Hollie Shaner - EUA,
Piedad Liliana Lancheros Carrillo Colômbia,
Ruth Miranda de Camargo Leifert - presidente da ANENT,
Ilene Masser - EUA e
Margarida Maria Plantier Rasteiro - Portugal
Atualmente,
nos EUA as empresas estão investindo no treinamento, educação e orientação,
tanto para o profissional quanto para o trabalhador, por isso os acidentes de
trabalho vêm diminuindo consideravelmente. Os casos mais freqüentes ainda continuam
sendo em indústrias da construção civil. "Existe uma comissão que está estudando
e analisando essa área. Eles dão bastante dinheiro para a perda, subsídio para
as uniões e sindicatos para que seja promovido reuniões e treinamentos nessa
área", afirma a enfermeira Bernardine B. Kushinski.
Já na Colômbia os acidentes mais freqüentes são relacionadas ao manuseio. Empresas
que exigem a manipulação do trabalhador acontecem muitas amputações. Também
ocorrem muitas quedas, traumas com trabalhadores que atuam em construções. Segundo
a enfermeira Piedad Liliana Lancheros Carrilo, existem duas faculdades, uma
voltada completamente à gerência de enfermagem gerência ocupacional e administração
e outra à parte técnica da saúde ocupacional capacitação, promoção. As enfermeiras
coordenadoras das empresas se empenham no programa, pois liberta o controle
da segurança e na parte de capacitação de trabalho.
Segundo a enfermeira Margarida Maria Plantier Rasteiro, os enfermeiros do trabalho
prestam os primeiros socorros em casos de acidentes e fazem os tratamentos de
continuação quando o trabalhador pode permanecer no trabalho. Se existe a incapacidade
parcial para o trabalho, ele é orientado pela companhia de seguros e são os
enfermeiros da seguradora que cuidam dele. Somente quando fica trabalhando é
que a assistência continuada é feita pelo enfermeiro do trabalho. Isso ocorre,
pois não existem tantos enfermeiros que procuram a especialização para a enfermagem
do trabalho quanto nós queremos e precisamos", comenta a enfermeira Margarida
Maria Plantier Rasteiro.
Todas as palestrantes falaram sobre a importância de acontecimentos como o I
Congresso Internacional de Enfermagem do Trabalho, pois uniformizam as experiências
e melhoram o desempenho da Enfermagem do Trabalho diante dos colaboradores.