Voltar                                                     
>>ínicio   >>índice da programação  

2- Bioética e Saúde do Trabalhador
Profº Pe. Christian de Paul de Barchifontaine
Enfº Bacharel em Filosofia e Teologia; Mestre em Adm. Hospitalar; Reitor do Centro Univers. São Camilo; Vice Superintendente da União Social Camiliana e da Cruzada Bandeirante Assistência Médica-social e Professor de Bioética e Saúde

Sendo que o principal enfoque da medicina e da enfermagem do trabalho é a proteção da saúde do trabalhador, melhor desempenho dos trabalhadores e resultados mais significativos com profissionais saudáveis, aumentando o bem-estar do trabalhador, acredito que, no cenário sócio-político-econômico no qual vivemos, torna-se imprescindível olharmos o contexto macro que circunda o trabalhador. Nunca esqueçamos que, como enfermeiros e enfermeiras, somos trabalhadores e precisamos questionar a nossa cidadania. Tendo como chave de leitura a bioética, é de suma importância refletir a questão bioética e saúde do trabalhador em nível macro, partindo da pessoa humana, como sujeito da nossa reflexão, tentando mostrar como é difícil ter saúde no contexto no qual vivemos. A seguir refletiremos sobre cidadania e qualidade de vida, mostrando como é difícil ser cidadão hoje. Assim, chegaremos à conclusão seguinte: se for verdade que queremos proteger a saúde do trabalhador, a realidade exigirá de nós um compromisso como cidadãos para que a dignidade da pessoa humana seja respeitada e que haja mais qualidade de vida para todos os trabalhadores. Neste final de século, em que se desvendam contradições poucas vezes verificadas na história da humanidade, apesar das maravilhas proporcionadas pelo "progresso", torna-se indispensável a revisão das posturas públicas do país, ante o compromisso ético de proporcionar condições mínimas de vida digna para seus cidadãos necessitados.
Através da Bioética, encontraremos um caminho para a nossa qualidade de vida que passa pelo reconhecimento da nossa cidadania e pela atuação das nossas organizações profissionais como sociedade civil, e portanto como agentes de transformação da sociedade, para que todas as pessoas tenham assegurada a sua condição de cidadão(ã). Façamos da Bioética, esse espaço de diálogo e relacionamento humano, procurando cada vez mais, aprimorar a nossa excelência tecno-científica e a nossa cidadania, e assim, melhorar a qualidade de vida da enfermagem bem como de toda a sociedade. Somente assim, encontraremos um certo prazer na nossa profissão. O livre arbítrio, a liberdade, nunca consistiram em aceitar os acasos infelizes do nosso destino biológico. A dignidade da condição humana exige entre outras coisas, tudo tentar para erradicar as doenças, lutar contra as fatalidades naturais, a infelicidade, o sofrimento, a miséria, as injustiças.
Lembremo-nos que o que determinará nosso futuro não é a solução de problemas técnicos, mas os problemas éticos, já que nossa sociedade coisifica a pessoa humana e sacraliza as coisas. Daí a importância em redescobrir o papel do relacionamento humano, imprescindível para falar de bioética, e através da bioética, resgatar a dignidade da pessoa humana e trabalhar em prol da qualidade de vida de todos os trabalhadores. Eis o nosso compromisso com a cidadania.