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9.1- O Impacto de Globalização
sob Ótica da Enfermagem do Trabalho (continuação1) Saúde e Globalização Será que a saúde global e a globalização da saúde continuam a ser um objectivo deste planeta Terra como resposta aos direitos humanos e a interesse comuns ????? Nos séculos XIX e XX a luta contra as epidemias uniu os países e conseguiram-se resultados apreciáveis. Considerava-se, então, que a saúde (conceito OMS) era a pedra angular do desenvolvimento económico. Hoje assiste-se à exacerbação de patologias antigas (ex: a tuberculose) e ao aparecimento de outras (ex: novas doenças profissionais resultantes de produtos, tecnologias e condições de trabalho e ambientais novos; tráfico e consumo de drogas á escala mundial; auto e hetero violência destrutiva; etc). Parece que o investimento político, económico e empresarial na promoção da saúde e segurança deixou de ser, em muitos casos, uma prioridade no planeta que habitamos. Por exemplo, na União Europeia (UE), Portugal é o país com os índices mais elevados de acidentes de trabalho, de acidentes de viação, de casos de Sida/AIDS e toxicodependência. Em 1997, o Relatório do Desenvolvimento Humano, encomendado pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, mostra o fosso cada vez maior entre os "ganhadores" e os "perdedores", sendo estes os países menos desenvolvidos e 20% dos mais pobres do mundo. Assim, conclui este Relatório, que a globalização tem caminhado largamente para o benefício dos países mais dinâmicos e poderosos e para o prejuízo evidente dos países menos desenvolvidos e menos poderosos. Martin e Schuman (1). A saúde e a enfermagem encontram-se sempre implicadas nestas tendências e situações resultantes da globalização.
A transnacionalização da saúde e dos factores de risco para a saúde e segurança requer atenção global, análise e acção que permita colaboração global. A globalização coloca novas ameaças para a saúde, segurança e desenvolvimento de cada um e de todos os seres que habitam o nosso planeta, mas é, também, a globalização que traz importantes oportunidades de mais e melhor saúde, segurança e desenvolvimento…… Para que isto aconteça é urgente uma abordagem transnacional e global das políticas, da investigação/pesquiza, dos financiamentos e das implementações na área da saúde, segurança e desenvolvimento da Pessoa/Humanidade. Num mundo caracterizado, imparavelmente, pela globalização, os países e as comunidades deverão olhar e ver para além dos seus interesses "pessoais", no sentido de definir e confrontar os problemas emergentes, os quais agora, são sempre compartilhados. Esta responsabilidade urgente caberá em primeiro ligar aos países do chamado 1º Mundo, que, ao desenvolver uma política ética, democrática e sustentável irão contribuir para decisões políticas não comandadas exclusivamente pelos interesses económicos e consumistas. É no equilíbrio convergente do interesse pessoal e do altruismo que, talvez, esta Terra possa continuar a existir para uma Vida satisfatória de cada um dos seus habitantes, actuais e futuros. Neste novo paradigma vale a pena recordar o filósofo inglês Bertrand Russel quando afirma: "Nós somos inteligentes, talvez demasiado, mas considerados numa perspectiva ética, não somos suficientemente bons. O nosso infortúnio está em que a nossa inteligência se desenvolve mais rapidamente do que os nossos dons morais" A ENFERMAGEM DO TRABALHO E A GLOBALIZAÇÃO A Enfermagem deverá criar um corpo de conhecimentos independente e dinâmico que permita que a formação em enfermagem seja "globalmente" relevante, isto é, seja tendencialmente adaptável através do mundo. A emergência desta Enfermagem Transcultural baseia-se, à partida, em parcerias internacionais entre escolas de enfermagem e projectos de investigação. Só assim, a Enfermagem poderá desenvolver as competências profissionais e um desempenho profissional, aos três níveis de prevenção, que vão ao encontro de TODAS as Pessoas, razão de ser da Enfermagem. Nesta era da globalização, as leis que regulam a enfermagem (generalista ou especialista) já não se confinam ao contexto doméstico. Existem acordos e tratados de adesão internacionais que estabelecem normas éticas e legais em todas as áreas do empreendimento e do comportamento humano. Em 1998 celebraram-se os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e os enfermeiros que exercem as suas funções, pelo mundo fora, junto dos trabalhadores, todos os dias lidam com situações de desrespeito por esta Declaração assumida pelos países presentes na Assembleia Geral da ONU em 1948. Os enfermeiros do trabalho já estão envolvidos na globalização e terão cada vez mais de encarar este fenómeno imparável com a mentalidade, os intrumentos e o bom senso necessários para que possam continuar a ser, e cada vez mais, profissionais competentes junto dos trabalhadores contribuindo específicamente para a promoção da sua saúde laboral e da sua qualidade de vida. A globalização da Enfermagem do Trabalho (ET) passa pela construção de pontes internacionais tais como parcerias e intercâmbios em educação/formação, em investigação, em partilha de experiências profissionais nos vários países, etc. Isto é já uma realidade no nosso planeta. É importante, para que isto possa acontecer, que a nível intranacional haja uma política uniformizada quanto à formação e exercício ou prática da ET. Vai ser cada vez mais frequente encontrar a/o enfermeira/o do trabalho a exercer com enfermeiras/os de outros países ou mesmo continentes (União Europeia, Mercosul). Isto implica que a formação em ET seja "globalmente" relevante e inclua a aprendizagem de outros idiomas.Também os trabalhadores, nossos clientes, são oriundos de países, continentes e culturas diferentes. Tudo isto implica para as/os enfermeiras/os do trabalho o conhecimento e a aceitação de outras culturas, outros hábitos, outros valores, outras crenças. |