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9.1- O Impacto de Globalização sob Ótica da Enfermagem do Trabalho (continuação2)
Margarida Plantier Rasteiro
Lisboa, Portugal

Descrição do quotidiano de um enfermeiro do trabalho europeu na era da globalização

Um enfermeiro europeu acorda todas as manhãs ao som do seu rádio japonês e recebe informações sobre acontecimentos mundiais do dia, tais como a queda das bolsas de Xangai e Nova Iorque, a Conferência Mundial para a Paz em Roma e as chuvas torrenciais no Nordeste Brasileiro.

Utiliza uma loção para a barba do Tahiti, veste uma camisa de algodão do Egipto ou da Índia e um casaco de lã da Austrália tratada em Manchester. Veste, em seguida, umas calças estilo jeans americanos e calça uns sapatos feitos em Portugal.

O seu relógio é suiço ou japonês e a sua pasta é de pele de réptil africano.

Ao pequeno almoço pode escolher entre um café moka da Etiópia ou um café arábica da Colômbia, papaia do Brasil ou, ainda, melão de Guadalupe.

Ao dirigir-se ao seu trabalho, este enfermeiro europeu utiliza um automóvel "americano" - Ford - construido a partir de componentes com origens tão díspares como o México (bancos, pàra-brisas, e depósito de combustível), o Japão ( pàra-choques), a Espanha (sistemas electrónicos), a Alemanha (sistemas de travagem) e a Inglaterra (partes dos eixos de rodagem).

Ao acender a telefonia do seu carro ouve uma transmissão directa de um concerto de Luciano Pavaroti em Pequim com a orquestra sinfónica de Zurique.

Conduz durante 90 minutos para percorrer 20 quilómetros até chegar ao seu local de trabalho, no centro da cidade, devido à crescente afluência de pessoas que moram nos arredores e que trazem os seus carros todas as manhãs.

Com algum stress já, inicia a sua jornada de trabalho numa empresa de capital coreano que se dedica à montagem de televisões.

A sua população-alvo é de cerca de 600 trabalhadores, sendo 350 mulheres e 60 originários de países de leste ( Coreia, Ucrânia, Roménia e Bósnia). A administração é coreana na sua maioria.

Tem um colega de profissão que é de Moçambique onde frequentou o curso de Enfermagem mas não possui formação específica em ET. A comunicação é feita em que idioma?

O médico do trabalho é brasileiro, o que, em termos de comunicação facilita o trabalho de equipa.

O enfermeiro do trabalho que teve na sua formação geral e específica noções de antropologia, sociologia, psicologia, comportamento organizacional, administração e ética para além de todas as outras disciplinas, vai planear o seu trabalho em função das exigências legais da UE e do país onde trabalha em matéria de saúde e segurança no trabalho; em função do regulamento interno da empresa; em função dos recursos humanos, técnicos e financeiros presentes; e, nomeadamente, em função das necessidades em termos de saúde e segurança, diagnosticadas com os trabalhadores (e outros técnicos) e sensíveis a cuidados de enfermagem do trabalho.

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