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9.1- O Impacto de Globalização
sob Ótica da Enfermagem do Trabalho (continuação3) Necessidades reais e/ou sentidas por trabalhadores nacionais e estrangeiros; conhecendo ou não a língua do país; com família e habitação estabilizada ou não; integrados ou ainda não nos hábitos e costumes nacionais e locais ( cultura da empresa); em cadeias de produção ou linhas de montagem com ritmo acelerado e exigência de movimentos repetitivos e monótonos, na posição de pé; etc. O nosso enfermeiro tem de saber comunicar, estabelecendo uma eficaz relação interpessoal com cada um e todos os trabalhadores de todos os níveis hierárquicos e ainda com a administração coreana da empresa. Esta exigência requer competências relacionais que se vão desenvolvendo. Na Coreia os ritmos e a disciplina laboral são diferentes, dum modo geral, dos da Europa Ocidental, assim, o nosso enfermeiro terá de negociar, por vezes, políticas e decisões as quais, tendo em conta a produtividade e a sua qualidade, se possam coadunar com a satisfação e bem estar dos trabalhadores. Quanto à sua formação profissional permanente e contínua, o enfermeiro do trabalho viu na Internet que neste ano de 2000, em Estrasburgo (França) nos dias 18, 19 e 20 de Outubro irá decorrer o Congresso Internacional de Saúde no Trabalho / Enfermagem do Trabalho, organizado pela FOHNEU (Federação das/os Enfermeiras/os do Trabalho da União Europeia e pelo Grupo de Enfermeiras/os do Trabalho da França). Vai solicitar à empresa que lhe pague a participação neste congresso, fazendo ver as vantagens em empregar um enfermeiro actualizado e motivado, junto de trabalhadores produtivos. O nosso enfermeiro está, também, a proceder à observação sistematizada e à colheita de dados na empresa, com a colaboração do seu colega moçambicano, com o objectivo de desenvolver um projecto de investigação sobre o tema: a satisfação dos trabalhadores estrangeiros na empresa relativa ao funcionamento do departamento de saúde e segurança. Para isto, estabeleceu intercâmbio com uma Universidade no Reino Unido com interesse nesta colaboração. No final da jornada de 7 horas de trabalho, o enfermeiro do trabalho dirige-se a casa, parando contudo antes para jantar num restaurante chinês, na medida em que o esperam, pelo menos, 90 minutos de condução. Já não chegará a horas de ir ver o filme "O Gladiador", em exibição próximo de sua casa e em milhares de salas de cinema espalhadas pelo planeta ao mesmo tempo. Mas, ao chegar a casa, contactará pela Internet com uma amiga especial que mora no Texas e com um colega no Brasil, isto antes de ver um filme em cassette video sobre a vida selvagem no Quénia. Deita-se, em seguida, não sem antes ter confirmado na sua agenda electrónica que, logo de manhã, na empresa tem uma consulta de enfermagem com uma trabalhadora romena, engenheira, grávida de 6 meses, que está colocada de pé numa linha de montagem de cabos eléctricos. Esta consulta foi pedida pela trabalhadora pois sente necessidade de um posto de trabalho em que se possa sentar por períodos intermitentes. Não vai ser fácil esta negociação com o chefe directo desta trabalhadora e a directora dos recursos humanos, pois em período de férias a alternância entre trabalhadores é mais difícil. A
pensar na melhor estratégia para abordar este caso, o nosso enfermeiro
do trabalho europeu adormece cansado, mas feliz por ser enfermeiro do
trabalho na era da globalização. 1)
MARTIN, Hans-Peter; SCHUMAN, Harald - A Armadilha da Globalização.
Tradução de Lúcia Pinho Melo
e Ana S. Silva. Lisboa: Terra Mar, D. L. 134915/99. 259 p. Trad. de Die
Globalisierungsfalle. 2) MORIN, Edgar; KERN, Anne Brigitte - Terra - Pátria. Trad. De Armando Pereira da Silva.Lisboa : Instituto Piaget, D.L.993.163. 163 p. ( Epistemologia e sociedade). Tradução de Terre - Patrie. ISBN 9295-28-X. 3) WATERS, Malcom - Globalização. Trad. de Magnólia Costa e Ana Bela Rocha. Oeiras: Celta Editora, D.L. 135080/99. 170 p. Tradução de Globalization. ISBN 972-8027-60-5. |