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8- Frida Marina Fischer
Duração e qualidade do sono
em Profissionais da área de Enfermagem

Teixeira LR , Borges FNS, Ferreira RM, Fischer FM

A organização do trabalho em hospitais é baseada em turnos de trabalho contínuos, uma vez que os serviços exigem um funcionamento ininterrupto durante as 24 horas do dia. No Brasil já é uma tradição junto ao corpo de enfermagem adotar-se o turno de 12 horas de trabalho (diurno e noturno), seguido de 36 horas de descanso. O objetivo deste trabalho foi analisar a percepção da duração e da qualidade dos episódios de sono dos trabalhadores em turnos, em dias de trabalho e de folga.
Para tal foram aplicados protocolos diários de atividade para obter dados sobre a duração e os períodos de vigília e sono. Escalas analógicas visuais de 10 cm (0 - péssimo; 10 - ótimo), foram respondidas pelos trabalhadores, para serem avaliadas a qualidade dos episódios de sono. Foram estudadas vinte e sete pessoas que trabalhavam nos seguintes turnos: 12 horas diurnas (07:00-19:00h) seguidas por 36 horas de descanso (n=11), 12 horas noturnas (19:00-07:00h) seguidas por 36 horas de descanso (n=16). A média da duração do sono noturno em dias de descanso foi de 471,2 minutos (DP=176,5), e a média da qualidade destes episódios de sono foi 7,8 (DP=2,4). A média da duração do sono diurno depois do trabalho noturno, para estes mesmos funcionários, foi de 208,7 minutos (DP=92,57), e a média da qualidade foi de 5,2 (DP=3,4). Foram detectadas diferenças significativas quando comparadas as durações dos episódios de sono diurno após trabalho noturno e dos que ocorreram durante à noite (Teste T- Student para amostras dependentes = 10,82, p< <0,000). Foi utilizado o teste não paramétrico Wilcoxon (por não haver homogeneidade de variâncias) para comparar a qualidade percebida dos episódios de sono noturno e diurno: foram detectadas diferenças significativas entre estas duas categorias (Z= 2,67, p<0,0076). Para os funcionários que trabalham em turno 12x36 diurno, a média da duração do sono noturno depois do trabalho diurno foi de 458,9 minutos (DP=125,4) e qualidade deste sono foi de 7,2 (DP=2,6). A média da duração do sono noturno em dias de folga foi de 174,3 (DP=148,4) e a qualidade foi de 6,1 (DP=2,6). Foram detectadas diferenças significativas ao serem comparadas as médias das durações dos episódios de sono noturno após trabalho (458,9 minutos; DP= 125,4) e sono noturno em dias de descanso (333,2 minutos; DP= 100,8), teste T-student para amostras dependentes = 2,20 p< 0,052. Entretanto, comparadas as qualidades dos episódios de sono noturno com ou sem trabalho anterior, não se detectaram diferenças estatisticamente significantes, (teste T student para amostras dependentes t= 1,85, p<0,095). Os resultados encontrados neste estudo são semelhantes aos publicados na literatura, ou seja, a duração do sono noturno é maior que a do sono diurno. Os trabalhadores diurnos seguem o padrão normal do ciclo vigília-sono humano enquanto que seus colegas do turno noturno não tem a possibilidade de dormir em horários adequados, isto é, à noite.
Em relação à qualidade do sono diurno após noite de trabalho, há na literatura muitos exemplos a respeito, mostrando que a qualidade do sono é pior durante o dia (após trabalho noturno) quando comparada à qualidade de sono noturno (após trabalho diurno). As causas são muitas, mas a principal é a falta de sincronia entre o sono diurno e os ritmos biológicos, o que vem de encontro aos nossos achados.

Apoio: CNPq Processo nº 52.1981/96-4

Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.
Endereço para contato lrt@usp.br