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3- Regina Célia Gollner
O profissional de enfermagem e a dependência química por psicofármacos:
uma questão de saúde do trabalhador
JOSÉ
GUERINO PIN
REGINA CÉLIA GOLLNER ZEITOUNE
TÚLIO ALBERTO MARTINS DE FIGUEIREDO.
O presente
estudo tratou-se de uma proposta que teve como objeto a dependência química
por psicofármacos entre os trabalhadores de enfermagem. Teve como objetivos,
traçar o perfil dos profissionais de enfermagem que atuavam em um hospital
psiquiátrico de Vitória-ES; identificar o uso de psicofármacos pelos profissionais
sujeitos do estudo; analisar fatores de risco para o uso e o conhecimento
dos profissionais acerca dos efeitos dos psicofármacos sobre sua saúde
e discutir as implicações do uso dos psicofármacos para a saúde destes
trabalhadores. Tratou-se de um estudo exploratório com abordagem qunti-qualitativa.
Os sujeitos do estudo foram os profissionais da equipe de enfermagem de
um hospital psiquiátrico da Grande Vitória-ES. Utilizou-se questionário
com questões abordando o perfil do trabalhador, características profissionais,
identificação quanto ao uso de psicofármacos e conhecimento sobre os riscos
e efeitos dos psicofármacos à saúde do trabalhador. Os dados foram analisados
através do programa EPI INFO versão 6.04B. Os resultados mostraram que
os trabalhadores, eram em sua maioria do sexo feminino, casadas, católicas,
com idade entre 41 a 65 anos, com dois filhos, renda familiar de três
salários mínimos e um emprego. Eram na sua maioria auxiliares de serviços
médicos (atendentes), com aproximadamente 21 anos de serviço em hospital
psiquiátrico, trabalhando em regime de plantão 12x36 horas. Identificou-se
que a maioria desenvolviam uma segunda jornada de trabalho no lar, não
praticavam lazer e apresentavam sentimentos positivos em relação ao trabalho;
todavia, consideravam o ambiente de trabalho estressante. Falavam que
conheciam os efeitos dos psicofármacos e consideravam os problemas psíquicos
o fator principal para o uso dos mesmos, porém, relatavam que o motivo
dos problemas eram a família. 48,5% ( 33 ) dos sujeitos usaram psicofármacos,
sendo que os ansiolíticos (diazepan) foram os mais usados; a maioria com
prescrição médica de fora do hospital. Usaram pela primeira vez entre
31 e 40 anos de idade e muitos tinham pessoas na família que faziam uso.
Conclui-se ainda que existia nos sujeitos do estudo uma "tendência" entre
o uso de psicofármacos e a idade de 41 a 60 anos, o sexo feminino, estado
civil casada, religião católica, renda familiar de 1 a 5 salários mínimos;
o número de filhos de 1 a 2 e na categoria de atendentes, com 21 anos
ou mais atuando em hospital psiquiátrico, tendo sentimentos positivos
e negativos com relação ao trabalho, que tinham como principal função
prestar assistência aos clientes e não praticavam lazer.
O estudo aponta questões a serem discutidas em outros estudos e que estes
resultados possam servir de base para despertar a atenção dos responsáveis
pela saúde destes trabalhadores, no sentido de efetivarem medidas que
visem controle mais racional dos medicamentos no hospital, programas educativos
voltados para a prevenção da dependência química e programas de tratamento
dos trabalhadores que já apresentam o problema.
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