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4- Adriana Dourado Rueda
Padrão e queixas de sono em motoristas profissionais de uma empresa comercial de transporte coletivo interestadual

Adriana Dourado Rueda, Lia Rita de Azeredo Bittencourt, Marco Túlio de Mello e Sergio Tufik

A sociedade moderna começa a ter um funcionamento 24 horas e a expansão dos horários de trabalho em diversas empresas, aumenta a possibilidade de trabalho em períodos que a sonolência é maior fisiologicamente. O trabalho prolongado além de reduzir a atenção e aumentar o risco de acidentes de trabalho podem causar distúrbios mentais, digestivos, irritabilidade, cansaço físico e mental, sonolência excessiva e insônia .Acidentes de trânsito são geralmente relacionados com sonolência particularmente durante trabalho de turno logo após do retorno de casa. A associação de sonolência e uso de drogas (sendo a principal delas o álcool) é um importante fator em acidentes de trânsito. O objetivo deste estudo foi verificar, através de questionários, o padrão e queixas de sono em motoristas profissionais interestaduais de uma empresa comercial de transporte coletivo. Todos os motoristas que trabalhavam nesta empresa (N=348) eram todos do sexo masculino responderam o questionário no ano de 1999. Este questionário era composto de respostas fechadas e algumas abertas que incluíam questões sobre sono, uso de drogas, e histórico de saúde. A grande maioria dos profissionais: 305 (87,6%) trabalham em escala móvel; 277 (45%) não tem hora certa de dormir e esse total sobe para 310 (51%) nos finais de semana; Foi perguntado se eles gostariam ou precisariam mudar seu horário de dormir : 52 ( 14,9%) responderam que sim e 296 (85,1%) disseram que não.
Dos que responderam 10 (2.9%) tinham problema de sonolência durante o período de trabalho e destes 9 (90%) tinham sonolência mais de 1 vez por semana e 1 (10%) mais de uma vez por mês, 20 (5,7%) tomam remédio para dormir e 14 (4,0%) tomam remédio para manter-se acordado. De todos entrevistados 17 (4.9%) adormeceram no volante mas não disseram quantas vezes isso ocorreu. 19 trabalhadores adormeceram no volante e provocaram acidentes mas não disseram quanto. Nós concluímos que : -trabalham de 41-50 horas por semana; -trabalham em escala móvel; -pelo motivo de trabalharem em horários irregulares eles não tem um horário fixo de atividade/repouso, que pode levar a uma diminuição da eficiência de sono e consequente aumento da sonolência excessiva tanto diurna quanto noturna, com isto aumenta a probabilidade de acidentes que podem envolver tanto pessoas que estão dentro quanto fora do ônibus.
Adriana Dourado Rueda - Departamento de Psicobiologia / Instituto do Sono/ UNIFESP/EPM - Endereço (residência) Rua Vista Linda, 321 CEP 05159-090 - adriana@psicobio.epm.br - Enfermeira do Trabalho - Enfermeira da UNIFESP/EPM.